A sub-mesa

Era uma família tão pobre
Tanto quanto era grande
Tanto como um nobre canto
Sabe tocar um velho berrante
Na imensidão do céu vermelho
e tornar o rubro cobre

Sempre tinha por hábito
De quando em vez, mas sempre
Um prato a menos pro hálito
E um único docinho flácido de calor,
rude e mesquinho
E um filho a mais no ventre

Por lógica, a refeição
Demandava um dente por prato
Também um por coração
Forçando a única porção do dia, de fato,
ser o doce que ninguém queria
Assim sucedia o trato

E a vida reservou um jeito:
Sub-vida! Sem reservas à mesa!
E o doce soava ruim
A quem só queria brócolis
porque viver longe das metrópoles
Faz do prazer cruel certeza

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